Quarta-feira, 17/03/2010
Paulo Whitaker/Reuters
Serra, Dilma e Lula: eleição a três.Os tucanos respiraram aliviados hoje. A pesquisa CNI/Ibope que acaba de sair do forno apontou queda de José Serra (PSDB) de 38% para 35% e avanço de Dilma Rousseff (PT) de 17% para 30%. Pode até parecer motivo para desespero da oposição, mas não é.
A expectativa era de que Dilma ficasse à frente de Serra. Como isso não ocorreu, há chances de o tucano permanecer na dianteira durante todo o primeiro semestre.
O motivo: Serra lançará a candidatura depois da páscoa e vai ocupar toda a mídia que deu destaque ao lançamento da pré-candidatura de Dilma no mês passado. É o efeito pendular de ocupação de espaço.
Isso, no entanto, não é refresco para o PSDB. Tudo indica uma disputa encarniçada e até agosto Dilma ainda pode tomar o primeiro lugar. A única certeza é que, em 2010, não há certezas.
Quer ter acesso à pesquisa direto da fonte? Clique aqui.
Roosewelt Pinheiro/Abr
Agaciel Maia: ele deve ser candidato a deputado federal.A segunda matéria publicada pela Gazeta do Povo sobre os atos secretos da Assembleia Legislativa parece – de novo – um remake dos escândalos do Senado no ano passado. Tecnicamente, a diferença é que, com um orçamento menor, o Legislativo paranaense conseguiu produzir ainda mais escabrosidades.
Ambos os casos têm personagens similares, os diretores-gerais das duas Casas. E em ambos os casos eles deveriam ser apenas figurantes de um poder público, nunca protagonistas. Afinal de contas, são funcionários que mandam (ou mandavam) mais do que muitos parlamentares.
Abib Miguel, o Bibinho, é indiscutivelmente o homem-forte da Assembleia. Em Brasília, Agaciel Maia ainda amedronta senadores de tanta informação que carrega. Os dois também chamam a atenção pelo milionário patrimônio que construíram como funcionários públicos.
Para saber mais sobre o Bibinho, leia a brilhante reportagem dos jornalistas Karlos Kohlbach, Katia Brembatti, James Alberti e Gabriel Tabatcheik.
Para decifrar Agaciel e tomar o caso como o que pode acontecer no Paraná, é bom lembrar acontecimentos bem recentes.
Agaciel foi apontado por uma comissão de sindicância feita pelo Senado como mentor dos 663 atos secretos da Casa que tratavam de criação de cargos, contratação e exoneração de parentes de senadores y otras cositas más.
A comissão pediu a demissão de Agaciel. Só que na semana passada, o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), contrariou a decisão e aplicou a punição de suspensão por 90 dias. Curiosamente, o caso já havia perdido a atenção da imprensa.
Em Brasília, o comentário é que Agaciel será candidato a deputado federal, com boas chances de vitória.
Enquanto isso, no Paraná, o escândalo está apenas começando. Em primeiro lugar, será necessário esperar pelas investigações internas para saber o que pode acontecer. Só depois disso será possível dizer se ambas as histórias terão o mesmo fim.
Ou o mesmo gosto. De pizza.

Um barbudo de origem humilde falando de paz na Terra Santa não é exatamente uma novidade na história da humanidade. A surpresa é que esse homem seja brasileiro.
Quando o jornal israelense Haaretz definiu Lula como “profeta do diálogo”, na semana passada, a viagem do presidente pelo Oriente Médio ganhou contornos quase bíblicos. Parece que enfim chegou o cara capaz de resolver o confronto entre Israel e Palestina.
Pura crendice.
Estive em Israel em janeiro para participar de um curso sobre jornalismo em áreas de conflito. Tive contato com todo tipo de gente, especialmente pessoas ligadas à política e à diplomacia israelense.
A cada oportunidade, perguntava como eles viam o interesse de Lula em intermediar o conflito com os palestinos. Ninguém aferiu legitimidade no Brasil para dar pitaco no Oriente Médio.
Primeiro porque no mundo real das relações internacionais o Brasil é uma figura em ascensão, mas ainda distante de ser consolidada. É só ver as trapalhadas recentes do país em Honduras e no trato aos prisioneiros políticos em Cuba.
O segundo e mais importante ponto é a aproximação do governo brasileiro com o Irã. Nada provoca mais arrepios nos israelenses do que aceitar conselhos de um parceiro declarado da dupla Ali Kamenei e Mahmoud Ahmadinejad.
Não é por isso, porém, que devemos crucificar o nosso barbudo. Se Lula é equivocado na relação com o Irã, dá exemplo aos Estados Unidos ao fazer gestos claros favoráveis à paz, como tratar com igualdade israelenses e palestinos.
O problema é que são só gestos – e devem ser interpretados dessa maneira, nas suas reduzidas proporções. Achar de verdade que Lula pode jogar para valer como grande mediador no Oriente Médio é outra história, bem difícil de crer.
De profetas, tanto muçulmanos como judeus já estão cheios.
Albari Rosa/ Gazeta do Povo
Jermina (esq.) e Vanilda Leal, agricultoras de Cerro Azul, moram em casebres de madeira e chão de terra batida, mas aparecem como beneficiárias de altos salários “pagos” pela Assembleia. Situação levou o MP a investigá-las. As duas ainda correm o risco de perder o Bolsa Família que as sustentaUm esforço conjunto de reportagem da Gazeta do Povo e da RPC-TV está escancarando um dos maiores escândalos da administração pública paranaense. A história dos atos secretos da Assembleia Legislativa do Paraná mostra uma prática grosseira de manipulação de documentos na qual parece que os envolvidos tem a nítida sensação de que fazem parte de outro universo, intangível pela Justiça.
As matérias dos jornalistas Karlos Kohlbach, Katia Brembatti, James Alberti e Gabriel Tabatche são uma lição de como a imprensa é importante para evitar a perpetuação desses casos escabrosos.
Os textos são resultado de mais de um ano de apuração e desvendam casos de contratações estranhíssimas, como as de duas agriculturas de Cerro Azul que moram em uma tapera de madeira, mas que teriam recebido R$ 1,6 milhão em salários entre 2004 e 2009.
O escândalo é mais profundo que o dos atos secretos do Senado, escancarado no ano passado. Em Brasília, no entanto, a divulgação das irregularidades gerou muita repercussão e poucas medidas práticas.
Tomara que no Paraná o desfecho seja outro.
Os humoristas do Pânico na TV saíram à caça da ministra-candidata Dilma Rousseff no último sábado e, aparentemente, conseguiram o que queriam - fazer a petista dançar o rebolation.
Depois de ter ensinado a deliciosa receita de um omelete no programa da Luciana Gimenez no mês passado, essa será a maior prova de popularização de Dilma.
Enquanto a dança não vai ao ar, aí em cima segue uma impecável imitação da ministra, também do Pânico. Será que ela vai superar o imitador?
Al Capone: inventor da lavagem de dinheiro.Bingos abrem caminho para a criminalidade e a lavagem de dinheiro? Quer saber mais sobre o assunto? Clique aqui.
Quer saber quem inventou a lavagem de dinheiro, leia o texto abaixo:
O termo “lavagem de dinheiro” é uma referência histórica ao gângster americano Al Capone. Em 1928, ele comprou uma cadeia de lavanderias em Chicago que servia de fachada para legalizar dinheiro originário de uma série de atividades ilegais, como prostituição, extorsão e o comércio de bebidas alcoólicas proibido na época pela Lei Seca.
Em todo mundo, as casas de apostas são vistas como ambientes propícios à lavagem de dinheiro porque recursos ilícitos podem ser legalizados quando um apostador consegue um bilhete premiado. Ou seja, a casa forja um prêmio para lavar o dinheiro de diversas origens, como o tráfico de drogas ou armas. No Brasil, o bingo também tem histórico com a corrupção na política.
Em 2004, o assessor da Casa Civil, Waldomiro Diniz, foi flagrado em uma gravação em que supostamente extorquia o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A suspeita era de que o dinheiro financiaria campanhas eleitorais de candidatos do PT.
Roosewelt Pinheiro/ABr
Dilma e Serra: há diferença entre eles?
Entrevistei há duas semanas o economista da velha guarda Carlos Lessa, presidente do BNDES no primeiro ano do governo Lula e um dos gurus de Roberto Requião. Lessa sabe muito sobre outros dois economistas - foi professor de Dilma Rousseff na Unicamp e amigo íntimo de José Serra no exílio do governador no Chile. Qual diferença ele vê entre os dois?
Nenhuma.
Ouvi outras 13 fontes sobre os sete assuntos mais quentes que serão tratados na próxima eleição. Gente de direita e de esquerda. Novamente, ninguém polarizou ideologicamente os principais candidatos em qualquer tema – do papel do Estado na economia às propostas para o meio ambiente.
Lessa, referência da esquerda desenvolvimentista, prevê uma campanha pífia de ideias, superficial. Para ele, cada candidato vai ficar falando das maravilhas feitas pelas suas gestões em Brasília e São Paulo. E o PT vai tentar colar na testa do PSDB a pecha de privatista, como já fez nas duas eleições eleições anteriores com sucesso.
A questão é que, originalmente, Serra é tão de esquerda quanto Dilma. E que agora ambos dividem uma centro-esquerda que virou o consenso ideológico do país. Infelizmente, acabou a pluralidade.
Parece engraçado, mas a culpa é da própria direita. O esfacelado Democratas, antigo Partido da Frente Liberal, até tentou criar uma nova identidade nos últimos anos. O esforço não enganou ninguém – a juventude pefelista é formada pelos descendentes dos mesmos oligarcas de sempre.
O tiro de misericórdia na legenda foi o mensalão do Distrito Federal.
Sem o DEM, quem sobra? Até o Partido Progressista, herdeiro legítimo da velha Arena, forma a base governista. O Partido da República (antigo Partido Liberal) também é lulista de carteirinha.
Não precisa ser muito inteligente para juntar todas essas informações e dizer: a direita brasileira morreu. Também não é novidade porque ela vem morrendo faz tempo, desde o final da ditadura militar (1964-1985). É sempre bom ressaltar: o enterro dessa direita rançosa é interessante, o ruim é que ninguém tenha ocupado esse espaço.
Na semana passada, Fernando Henrique Cardoso (que não é bem um representante da direitona) inovou ao defender o liberalismo. Disse que o Brasil precisa decidir que tipo de capitalismo vai escolher. Se será um capitalismo “burocrático, corporativo” e com um Estado “mandão” ou um capitalismo de “competição”.
Em outras palavras, explicou que ser liberal não é feio nem significa ser entreguista ou contra o Estado. É defender as liberdades individuais, o direito à competição, a redução dos impostos. Hoje não há qualquer legenda de credibilidade que pregue esses conceitos no Brasil.
A briga é para saber como manter ou ampliar a máquina arrecadatória, o tamanho das empresas estatais, a regulação da imprensa e tantas outras regras para emparedar a vida do cidadão. Dilma e Serra estão de acordo em quase todos esses temas, com diferenças bem sutis. O que ninguém se preocupa é em mostrar como melhorar as questões mais simples.
É até coerente para a centro-esquerda dominante pensar em aumentar a participação do Estado na economia. O que é estranho é que esse mesmo Estado ainda está a anos-luz de distância de cumprir as suas três funções básicas - garantir educação, saúde e segurança de qualidade.
É como falar mal do vizinho sem cuidar do próprio quintal ou não fazer a lição de casa e dar uma de professor. Parece lógico, mas não é. A pena é que não haverá discussões desse nível na próxima eleição.
Por mais feio que isso possa parecer no Brasil e na atual América Latina, estamos precisando de um partido de direita. Vaga é o que não falta.
Ricardo Stuckert/Presidência
Lula fala e os fiéis escutam? Não, Israel não é Garanhuns."Imparcialidade é o nome do jogo. Lula tem que ser amado por todos. Sua visita ao Oriente Médio na próxima semana começará em Israel, mas também o levará para os territórios palestinos e para a Jordânia."
O trecho acima foi publicado pelo jornal Haaretz, o mais respeitado de Israel, na última sexta-feira. Quem lê pensa que os israelenses estão realmente empolgados com a entrada do presidente no truncado jogo diplomático do Oriente Médio.
Na prática, porém, o atual governo do Estado de Israel simplesmente não admite a participação de Lula nessa jogada.
Entre janeiro e fevereiro, estive em Israel em um curso sobre jornalismo em áreas de conflito. Tive a oportunidade de participar de palestras com todo tipo de gente, especialmente da diplomacia.
Eles foram uníssonos: Lula não vai mediar nada por aquelas bandas enquanto se mantiver próximo do Irã.
Como afastar-se do "brother" Mahmoud Ahmadinejad está descartado pelo presidente, o que se verá a partir de hoje (quando começa a visita de Lula por Israel, Palestina e Jordânia) será puro jogo de cena.
Aliás, é bom reparar que a aproximação brasileira com os iranianos não é questionada apenas pelos israelenses. Nas últimas duas semanas, também foi criticada por Estados Unidos e Alemanha - que tradicionalmente não mete a colher nessas questões.
Lula vai falar muito, ser bem recebido, gerar algumas manchetes (inclusive do Haaretz), mas vai ficar tudo por isso mesmo.
A pergunta que fica é a seguinte: é uma grande mancada a "parceria" com o Irã?
Sim e não.
Não, porque o Brasil é soberano para se relacionar com quem bem entender.
Sim, porque a estratégia de se posicionar como um mediador contra-hegemônico no Oriente Médio exige bem mais do que "diálogo".
De profetas, israelenses, palestinos e iranianos já estão cheios.
Quer saber mais sobre a visita do presidente Lula a Israel? Leia a matéria da jornalista Helena Carnieri, direto do Oriente Médio.
Aí vão algumas fotos sobre o que Lula vai encontrar em Israel:
André Gonçalves
André Gonçalves
André Gonçalves
André Gonçalves
Jonathan Campos/Agência de Notícias Gazeta do Povo
Presidente Lula e a Ministra Dilma visitaram obras na Repar. Governador Roberto Requião também participouDe Brasília, alguns drops da visita de Lula ao Paraná por fontes que acompanham a viagem de perto:
1 - Requião não queria sentar ao lado de Paulo Bernardo na Repar, em Araucária. Curiosamente, eles ficaram juntos.
2 - Quando foi anunciado para discursar, Requião recebeu algumas vaias, de leve.
3 - As vaias ficaram generalizadas quando ele chamou o pessoal que promovia os apupos de "palhaços".
4 - Sim, ele ficou bem nervozinho com a situação.
5 - Ele não criticou publicamente Paulo Bernardo, aquele mesmo que acusou de tentar superfaturar uma obra ferroviária no Oeste do estado.
6 - No Twitter, porém, ele disse que apresentou a denúncia pessoalmente a Lula.
7 - Quem esperava que Lula abraçasse a candidatura de Osmar Dias para governador, ficou só na expectativa.
Divulgação
Ouro negro que vem do mar.A mudança na divisão dos royalties e da participação especial do petróleo extraído no mar brasileiro pode aumentar em oito vezes os recursos destinados ao Paraná.
A alteração aprovada na noite de anteontem pela Câmara dos Deputados – e que ainda precisa passar pelo Senado - acaba com o privilégio na distribuição dessa verba para estados e municípios produtores.
Dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) apontam que a medida beneficia 25 estados e prejudica Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Os números são baseados no volume de royalties e participação especial pagos em 2008.
Pelas regras atuais de distribuição dos recursos, o estado do Paraná e seus 399 municípios receberam nesse ano R$ 52, 3 milhões.
Se a nova fórmula estivesse em vigor, esse valor saltaria para R$ 425,2 milhões.
Quer saber mais? Clique aqui.
A teimosia dos músicos do Paraná
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